ELIAS RICARDO SANDE

ELIAS RICARDO SANDE
PSICOLOGO SOCIAL E DAS ORGANIZACOES

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aconselhamento Psicologico: Caso Concreto em Mocambique

1.Introdução
Na prática de Aconselhamento Psicológico encontramos o cliente, o conselheiro e “algo” entre eles-a “relação”. Nessa dissertação, pretendemos experienciar e discutir a tematíca do Aconselamento Psicológico, contando não apenas com o que se ouviu falar, com o que se lê, ou com casos fictícios via televisão e/ou jornal, mas com dados reais de uma sessão do processo de Aconselhamento Psicológico que o autor colheu do Gabinete de Atendimento de Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica em Maputo.  Existem certas atitudes que o conselheiro assume e que facilitam o crescimento e progresso do cliente. Essas atitudes são não somente fundamentais como também necessárias e suficientes para o encaminhamento do processo de aconselhamento assim como de qualquer relação de âmbito psicológico.
O presente trabalho irá abordar “Aconselhamento Psicológico” e, foi elaborado no âmbito da cadeira de Psicologia de Aconselhamento do curso de Licenciatura em Psicologia na UEM, substituindo, desta forma, o Exame semestral da cadeira e,  tem como objectivo, refletir acerca da teoria e a prática do processo de Aconselhamento Psicológico; bem como averiguar o impacto do Aconselhamento Psicológico à sociedade moçambicana. Para a elaboração desse trabalho, recorreu-se à revisão bibliográfica (livros, obras, revistas, artigos e jornais. O trabalho alberga a seguinte estrutura: a presente Introdução (âmbito, objectivos e metodologia); Fundamentação Teórica (contextualização e definição de conceitos); Apresentação de um caso, e, finalmente uma  Apresentar-se-à uma breve Conclusão (considerações finais e recomendações).






Ø  1.1.Justificativa
O processo de Aconselhamento Psicológico, por ser uma prática que oferece as condições necessárias para explorar o incosciente e a subjectividade do paciente, isto é, a disponibilidade mútua de trocar conhecimentos e sentimentos, permite a superação da situação de conflito, constitui, deste modo, uma arma poderosa para qualquer profissional da área de Psicologia. Sendo eu estudante de Psicologia é importante aprofundar essa temática pois, é um preparo para a futura tarefa enquanto profissional que se preocupa com o bem-estar psicológico e social da sociedade moçambicana. O resgate da integralidade do paciente, percebido como sujeito participante nas acções, implica o reconhecimento de sua subjectividade em interacção. A importância do tema  está associada à necessidade do paciente receber adequado suporte emocional para lidar melhor com essa nova condição e participar activamente do processo de aconselhamento.


IªPARTE
FUNDAMENTÇÃO TEÓRICA

Na visão de Almeida (1999), aconselhar vem do verbo latino conciliare e nos remete a consilium, que significa com-unidade. Esta significação supõe a acção de duas ou mais pessoas voltadas para a consideração da mesma situação. É a própria noção de um conselho: várias pessoas reunidas para examinar com atenção, olhar com respeito e cuidado, a fim de deliberar com prudência e justeza,  a função do conselheiro dispõe-se no modo do acolhimento que permite explorar, com o cliente, não apenas a chamada queixa, mas também a forma mais adequada de lidar com ela. A partir dos primeiros contactos entre cliente e conselheiro, o processo pode levar tanto à formulação de um contrato de psicoterapia, quanto a uma orientação, (informação) ou ao encaminhamento para outro profissional.
2.Apresentação e Conceptualizção do Aconselhamento Psicológico

Segundo Andrade (2001), entendemos Aconselhamento Psicológico como um processo de escuta activa, individualizado e centrado no paciente. Pressupõe a capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre os interlocutores, visando ao resgate dos recursos internos do paciente para que ele mesmo tenha possibilidade de reconhecer-se como sujeito da sua própria transformação. De acordo Schmidt (1999), podemos definir o aconselhamento como uma relação face-a-face de duas pessoas, na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional, profissional e vital (apoio emocional; apoio educativo, que trata das trocas de informações; avaliação e reflexão sobre valores, atitudes e condutas, incluindo a mudança decomportamentos e tomada de decisão).

Essas componentes nem sempre são atingidos na 1ª Sessãoe e, podem ser trabalhadas tanto em grupo como individualmente. Na abordagem colectiva, as questões comuns expressas pelos participantes devem nortear o conteúdo a ser abordado, nesse sentido, a identificação da demanda do grupo é fundamental. No grupo, as pessoas têm a oportunidade de redimensionar suas dificuldades ao compartilhar dúvidas, sentimentos e conhecimentos, pois, em algumas circunstâncias, essa abordagem pode provocar alívio do stress emocional vivido pelos clientes. A dinâmica grupal também pode ajudar o indivíduo a perceber a sua própria demanda, a reconhecer o que sabe e sente, estimulando sua participação nas relações subsequentes (Andrade, 1998).

3.Origem e Contexto Sócio-Histórico e Cultural do Aconselhamento Psicológico    

Na perspectiva de Morato (1999), historicamente o aconselhamento surgiu com os seguintes movimentos psicológicos: Fundação de Centros de Orientação Infantil e Juveni (para pais e filhos) na primeira década do século XX; aparecimento da orientação profissional; a criação de Serviços de Higiene Mental para adultos; as instituições de Assistência Social que necessitavam dar a seus clientes além de assistência médica e financeira, oportunidades de expressão e alívio de suas cargas emocionais; o desenvolvimento dos serviços de assistência psicológica nas empresas também ofereceu um novo campo de aplicação do aconselhamento.
De acordo com a Associação Européia para o Aconselhamento (1996), o aconselhamento psicológico está relacionado à resolução de problemas, o processo de tomada de decisões, o confronto com crises pessoais, a melhoria das relações interpessoais, a promoção do auto-conhecimento e da autonomia pessoal, o carácter psicológico da intervenção é centrada em sentimentos, pensamentos, percepções e conflitos e a facilitação da mudança de comportamentos.
Em geral, o aconselhamento psicológico (counselling) visa facilitar uma adaptação mais satisfatória do paciente à situação em que se encontra e aperfeiçoar os seus recursos pessoais em termos de auto-conhecimento, auto-ajuda e autonomia (Morato & Schmidt, 1999). A finalidade principal é promover o bem-estar psicológico e a autonomia pessoal no confronto com as dificuldades e os problemas, bem como a mudança concreta do comportamento do paciente e constitui-se como parte integrante dos processos de melhoria da qualidade em saúde psíquica, bem como a humanização dos serviços e a prática de relações sociais saudáveis (Eisenlohr, 1999).
Por outro lado, Oliveira (2005), defende que aconselhar não é dar conselhos, fazer exortações nem encorajar disciplina ou prescrever condutas que deveriam ser seguidas. Pelo contrário, trata-se de ajudar o paciente a compreender-se a si próprio e à situação em que se encontra e ajuda-lo a melhorar a sua capacidade de tomar decisões que lhe sejam benéficas. O autor enfatisa que é preciso acolher o saber e o sentir do paciente, por meio de uma escuta activa, é condição básica para um atendimento de qualidade. Deste modo, de acordo com Schmidt (1999), a prática do aconselhamento dá oportunidade para a retoma da integralidade da pessoa que busca os serviços de saúde, associando complementarmente o ver e tocar com o ouvir e sentir. Desta forma, como afirma Schmidt (1999), facilita a superação de bloqueios subjectivos, permitindo ao utente avaliar suas reais possibilidades de tomada de decisão.
4.Objectivos do Aconselhamento Psicológico
No intender de Eisenlohr (1999), os objectivos do Aconselhamento Psicológico estão relacionados com três componentes diferentes, cujo peso específico pode variar em cada intervenção ou em cada caso em função das necessidades específicas do paciente:
Ø  ajuda: para lidar com as dificuldades, identificar as soluções, tomar decisões e mudar comportamentos, bem como disponibilizar ajuda para dar resposta às necessidades psicológicas dos pacientes;
Ø  pedagogia: relacionada com a transmissão de informação, transmitir informação personalizada, bem como promover o desenvolvimento de competências sociais
Ø  apoio: relacionado com a transmissão de segurança emocional, facilitação do controle interno e promoção da autonomia pessoal, bem como aumentar o autoconhecimento e a autonomia, contribuindo para o desenvolvimento pessoal; a redução do nível de stress;
O aconselhamento, por ser uma prática que oferece as condições necessárias para a interacção entre as subjectividade, isto é, a disponibilidade mútua de trocar conhecimentos e sentimentos, permite a superação da situação de conflito (Scheeffer, 1979). Segundo como afirma Oliveira (2005), o resgate da integralidade do utente, percebido como sujeito participante nas acções, implica o reconhecimento de sua subjectividade em interacção.

5.Escuta activa e a Comunicação  no processo de Aconselhamento Psicológico
De acordo com Rogers (1966) citado por Andrade (1998), a atitude de escuta activa pressupõe a capacidade do profissional em proporcionar um espaço onde o paciente possa expressar aquilo que sabe, pensa e sente em relação a sua situação, responder às reais expectativas, dúvidas e necessidades deste e prestar-lhe apoio emocional. Por outro lado, a comunicação competente diz respeito a informações apropriadas às necessidades do paciente e adequadas do ponto de vista técnico científico e com clareza da linguagem empregada. No intender de Almeida (1999), no processo de aconselhamento deve ser buscada a adequação da linguagem, na busca de favorecer a compreensão do conteúdo a ser comunicado, pode-se lançar mão de analogias, metáforas, gírias, expressões populares e sinônimos para que os termos e conhecimentos científicos não sejam obstáculos à compreensão da informação.
Há ainda que se ressaltar que o processo comunicacional não é uma linha contínua, de mão única, restrita à relação entre emissor - mensagem - receptor, mas um processo complexo, a receptor é sujeito activo de reconstrução interpretativa do conteúdo informacional. Os problemas de recepção não se limitam à falta de clareza da linguagem, podem estar relacionadas à não-partilha dos significados culturais vinculados às vivências do receptor. O processo de comunicação não se baseia numa relação estanque entre emissor e receptor, mas numa troca (que pode ser conflitiva) entre ambos, em que emissor se torna receptor e vice-versa. O conteúdo a ser comunicado precisa ser competente, do ponto de vista de uma compreensão mediada pelos valores e vivências do grupo a que se destina (Rogers, 1966 citado por Oliveira, 2005).
Nas palavras de Eisenlohr (1999), o processo de aconselhamento psicológico envolve a construção duma aliança entre o conselheiro e o paciente, na qual quem promove a entrevista de aconselhamento disponibiliza tempo e liberdade para que o paciente explore os seus pensamentos e sentimentos, numa atmosfera de confiança, respeito e neutralidade. Para atingir este objectivo, o psicólogo utiliza competências básicas de aconselhamento como a escuta activa, a empatia e a reflexão, tentando compreender o paciente e a situação em que se encontra. E como defendem Morato & Schmidt (1999), o processo centra-se na compreensão que o sujeito tem da situação em que se encontra e as escolhas a fazer e decisões a tomar sustentam-se nos seus próprios insights. Rogers (1966) citado por Almeida (1999) defende que o aconselhamento envolve 3 fases sucessivas, cuja utilidade é a de sistematizar a intervenção e identificar o tipo de competências de aconselhamento que é necessário usar em cada fase:
  1. Exploração do problema
No contexto da relação interacional entre o conselheiro e o paciente no processo de aconselhamento psicológico é facilitada no sujeito uma atitudes de exploração do problema, que permita a sua identificação e caracterização a partir do seu próprio ponto de vista, bem como a focalização em preocupações específicas que eventualmente estejam presentes. Esta fase exige escuta activa,com compreensão empática, aceitação positiva incondicional, frequentemente parafraseando, reflectindo sentimentos, sumarizando, focalizando e ajudando o paciente a ser específico;
  1. Nova compreensão do problema
Trata-se de ajudar o sujeito a ver-se a si próprio e a situação em que se encontra numa nova perspectiva e de focalizar naquilo quepoderá ser feito para lidar mais eficazmente com o problema. Nesta altura, o cliente geralmente também tem que ser ajudado a identificar os seus recursos pessoais e extrapessoais. Esta fase exige mais especificamente a utilização da compreensão empática, transmissão de informação, ajuda para que o cliente reconheça sentimentos, temas, inconsistências e padrões de comportamento ;
  1. Delimitação de objectivos atingir a Acção
 Trata-se de facilitar o paciente a consideração das possíveis formas de agir, a avaliação dos seus custos e consequências, a construção dum plano de acção e a forma de implementá-lo. Isto implica focalizar na resolução de problemas, pensamento criativo e processo de tomada de decisão.

6.Papéis centrais do Aconselhamento Psicológico e características exigidas ao conselheiro
Araújo & Jordão (1995) citados Morato & Schmidt (1999) salientam que é importante a avaliação dos resultados do aconselhamento, entendendo-se que este tem uma evolução positiva quando se operou uma mudança de comportamento. A avaliação é complexa, uma vez que é necessário saber quem são os pacientes que mais beneficiam com o aconselhamento em contextos e, também, qual o nível de competências de quem realiza a intervenção é que se relaciona com os benefícios do aconselhamento. Na linguagem de Oliveira (2005), é admissível que alguns pacientes possam beneficiar de intervenções realizadas por outros conselheriros que apenas desenvolveram algumas competências para o aconselhamento, enquanto que outros pacientes necessitem de um conselheiros mais especializados como é caso de um  psicólogo.
Segundo Andrade (1998), a eficácia do Aconselhamento Psicológico, centra-se nas qualificações do profissional, assim sendo, é fundamental apresentar algumas características exigidas aos conselheriros:
Ø  qualidades interpessoais do terapeuta: no seu trabalho,o terapeuta deve trazer muito mais que uma simples orientação teórica,um conjunto de valores e crenças pessoais ou uma história de treinamentos; respeito: levar o paciente a reconhecer que é capaz de modificar-se e participar de forma ativa do processo, dentro do seu tempo; consideração positiva: aceitar o paciente, apesar do seu perfil,  comportamentos ou ações negativas; empatia: capacidade de compreender o paciente a partir da perspectiva própria do mesmo; autenticidade: liberdade de ser o que é, sem falsidade; cordialidade: ser aberto, responsivo e positivo dentro da relação; aceitação positiva incondicional; devem ser indivíduos que valorizam as relações interpessoais, calmos, e sensíveis às diferenças interpessoais e que optem pelo treino contínuo de competências de aconselhamento; cultivar a capacidade de scuta activa, focalização, sumarização e espírito de eclarificação; desenvolvimento profissional e pessoal relevante para o exercício de aconselhamento como componente de aprendizagem experiencial, sustentada na prática profissional.
Desta forma, afimando Rowland (1992) citado por Morato & Schmidt (1999), ao longo da História da Psicologia, o Aconselhamento Psicológico têm-se revelado três papéis centrais:
  1. papel remediativo
 O papel remediativo envolve trabalhar com indivíduos ou grupos, assisti-los remediar (corrigir) problemas de um ou de outro tipo. As intervenções remediativas podem incluir o aconselhamento pessoal e social ou a psicoterapia ao nível individual, casal (e.g., aconselhamento marital), ou grupal.
  1. papel preventivo
É aquele em que os psicólogos do aconselhamento procuram “antecipar, evitar, e, se possível, excluir dificuldades que poderão surgir no futuro”. As intervenções preventivas podem focar-se nos designados “programas psico-educativos” visando prevenir o desenvolvimento dos problemas ou acontecimentos.
  1. papel desenvolvimentista
Também referido como papel educativo-desenvolvimental, o seu objectivo é ajudar os indivíduos a planear, obter e a derivar os máximos benefícios dos tipos de experiências que os capacitarão a descobrir e a desenvolver as suas potencialidades. Exemplos serão as intervenções de treino de competências, grupos de casais formados para melhorar o relacionamento, grupos de desenvolvimento pessoal, vários workshops e seminários, etc.

7.A função da Entrevista no processo Aconselhamento Psicológico
Segundo a visão de Rogers (1966) citado por Almeida (1999), a entrevista psicológica é um processo bidirecional de interação, entre duas ou mais pessoas com o propósito previamente fixado no qual uma delas, o entrevistador, procura saber o que acontece com a outra, o entrevistado, procurando agir conforme esse conhecimento. Enquanto técnica, a entrevista tem seus próprios procedimentos empíricos através dos quais não somente se amplia e se verifica, mas, também, simultaneamente, absorve os conhecimentos científicos disponíveis. Nesse sentido, define-se entrevista psicológica como sendo “um campo de trabalho no qual se investiga a conduta e a personalidade de seres humanos”.
Como diz Bleger (1960) citado por Almeida (1999), a entrevista é um instrumento insubstituível e indispensável nas diferentes tarefas que realiza um psicólogo (selecção, orientação, aconselhamento, terapia, etc.); é o instrumento psicológico que mais se utiliza tanto na prática de aconselhamento, como nas situações escolares ou nas organizações. O autor defende que existem uma serie de componentes que são característicos da entrevista:
Ø  uma relação directa entre duas ou mais pessoas; uma via de comunicação simbólica, preferentemente oral; objectivos pré-estabelecidos e conhecidos (pelos menos pelo psicólogo) e uma atribuição de papeis (entrevistador e entrevistado).
A entrevista é a técnica que permite o acesso às representações mais pessoais dos pacientes: história, conflitos, representações, crenças, sonhos, fantasmas, acontecimentos vividos, etc. É um instrumento insubstituível no domínio da Psicologia, em que há que tentar compreender a origem de diferentes psicopatologias e problemas sociais trazidas pelo paciente. Com efeito, só o paciente nos pode dizer “qundo”, “onde” e “como” sofre; há portanto, que escutá-lo. A eficácia de qualquer tratamento ou procedimento psicológico incluindo o aconselhamento está directamente relacionada com a qualidade da entrevista (Rogers, 1966 citado por Almeida, 1999).

8.Relação entre Aconselhamento, Orientação, Entrevista, Psicoterapia e Anamnese
O aconselhamento psicológico é diferente de psicoterapia. As diferenças referem-se a aspectos específicos, tais como: carácter situacional; centrado na resolução de problemas do sujeito; focalização no presente; duração mais curta; mais orientado para a acção do que para a reflexão; predominantemente mais centrado na prevenção do que no tratamento; a tarefa essencial do técnico é facilitar a mudança de comportamento e ajudar a mantê-la. No caso da saúde a finalidade principal do aconselhamento é a redução de riscos para a saúde, obtida através de mudanças concretas do comportamento do paciente (Rogers, 1966 citado por Almeida, 1999).
Rogers (1966) citado por Morato & Schmidt, (1999), afirma que em relação à orientação, o aconselhamento é  apenas parte integrante do amplo campo que compreende o processo de  orientação; tanto o aconselhamento quanto a orientação possuem a mesma finalidade: promover um melhor ajustamento para que o paciente possa desenvolver as suas potencialidades. Muitos autores em geral encontram algumas dificuldades para diferenciar o campo da psicoterapia e o campo do aconselhamento psicológico, pois muitas vezes estes campos se confundem quanto a finalidade. Segundo Rogers (1966) citado por Almeida (1999), a diferença é apenas uma questão terminológica. Usa-se psicoterapia para contactos mais profundos e duradouros e aconselhamento para contactos mais superficiais. A psicoterapia actua em níveis mais profundos, ajudando o indivíduo desajustado ou neurótico a re-estruturar sua personalidade, o aconselhamento possui um carácter mais profilático.
O objectivo do aconselhamento Psicológico, concebido amplamente, é capacitar o cliente a dominar situações de vida, a engajar-se em actividade que produza crescimento e a tomar decisões eficazes. Como resultado do processo, o aconselhamento aumenta o controle do indivíduo sobre as adversidades actuais e as oportunidades presentes e futuras (Morato & Schmidt, 1999).
A técnica da entrevista procede do campo da medicina, e inclui procedimentos semelhantes que não devem ser confundidos e nem superpostos à entrevista psicológica, assim sendo, a consulta não é sinônimo de entrevista,na medida em que a consulta consiste numa assistência técnica ou profissional que pode ser realizada através da entrevista. Por sua vez, a entrevista não é uma anamnese. Esta implica numa compilação de dados pré-estabelecidos, que permitem fazer uma síntese, seja da situação presente, ou da história da disfunção ou do problema trazido pelopaciente. Embora, se faça a anamnese com base na utilização correta dos princípios que regem a entrevista, porém, são bem diferenciadas nas suas funções (Scheeffer, 1979).  
Rogers (1966) citado por Morato & Schmidt, (1999) defende que a anamnese trabalha com a suposição de que o paciente conhece sua vida e está, portanto, capacitado para fornecer dados sobre a mesma. Enquanto que, a hipótese da entrevista é de que cada ser humano tem organizado a história de sua vida, e um esquema de seu presente, e destes temos que deduzir o que ele não sabe. Ou seja, o que nos guia numa entrevista, do mesmo modo que em um tratamento, não é a fenomenologia reconhecível, mas o ignorado, a surpresa Nessa perspectiva, deste modo, compreende-se que, diferentemente da consulta e da anamnese, a entrevista psicológica tenta o estudo e a utilização do comportamento total do indivíduo em todo o curso da relação estabelecida com o profissional, durante o tempo que essa relação durar.
Segundo Scheeffer (1979), a entrevista psicológica funciona como uma situação onde se observa parte da vida do paciente. Mas, nesse contexto não consegue emergir a totalidade do repertório de sua personalidade, uma vez que não pode substituir, e nem excluir outros procedimentos de investigação mais extensos e profundos, a exemplo de um tratamento psicoterápico ou psicanalítico, o qual demanda tempo, e favorece para que possa emergir determinados núcleos da personalidade. Este tipo de assistência, também não pode prescindir da entrevista. Esta que apresenta lacunas, dissociações e contradições que levam alguns pesquisadores a considerá-la um instrumento pouco confiável. Essas dissociações e contradições, são inerentes à condição humana, e a entrevista oferece condições para que as mesmas sejam refletidas e trabalhadas. Rogers (1966) citado por Eisenlohr (1999), salienta que a entrevista e aconselhamento, geralmente são termos utilizados enquanto sinónimos, porém, a entrevista pode ter objectivos distintos do aconselhamento, tal como acontece com as entrevistas de inquérito, de pesquisa e de seleção.







IIªPARTE
ESTUDO DE CASO

9. Relato de um caso de Aconselhamento
Escolhi este caso para ilustrar o trabalho de Aconselhamento Psicológico no contexto moçambicano, e por ter sido um atendimento que possibilitou transformações na dinâmica familiar. Márcia (nome fictício de uma senhora) apresentou uma queixa por iniciativa própria na 6ª Esquadra da PRM em Maputo, tendo sido encaminhada pelo Agente policial da em serviço  para o Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica em Maputo. Sendo a 1ªsessão, esta, foi  atendida por uma estagiária de psicologia no trabalho de Aconselhamento Psicológico com o objetivo de dar suporte psicológico, no qual a estagiária pôde propiciar o esclarecimento sobre sua situação, promovendo nova significação de seu conflito e consequentemente possibilitando que Márcia se conscientize da sua problemática.
Márcia, de 37 anos de idade, cozinheira, portadora da doença de cancro do útero, sofre violência doméstica pelo marido desde 1985. No início do casamento sofreu abuso sexual anal por parte domarido. Há dois anos ficou de coma devido à essa doença. Júlio (nome fictício) marido de Márcia tem 53 anos, Antigo-combatente da guerra dos 16 anos, pedreiro e alcóolatra, separado da primeira esposa, com quem teve três filhos. Flávio (nome fictício), 17 anos, filho primogênito de Márcia com Júlio, está envolvido com drogas.
Márcia é mulher de Júlio há 20 anos, têm quatro filhos desta relação e dois enteados, filhos do primeiro casamento de Júlio; todos morando no mesmo terreno, ou seja, Márcia, Júlio e três filhos menores numa casa; Flávio, filho primogênito do casal em um quarto independente; o enteado, solteiro, em outra casa, e a enteada que é casada, sem filhos, em uma outra casa. Todas as casas foram construídas pelo pai de Júlio, que exerce actualmente profissão de pedreiro autónomo.
A conselheira-estagiária recebeu a cliente acompanhada pela polícia, muito fragilizada por ter sido agredida fisicamente pelo marido, queixou-se de dores no corpo. Apresentava lábios e face direita inxados, além de emocionalmente demonstrar um cansaço e abalo, chorando e soluçando frequentemente, dizendo: “O Julio, se alcooliza e não consegue se manter equilibrado e me agride”, no decorrer do encontro verbaliza suas angústias e, após relatar seus dados de identificação, conforme o procedimento, relata alguns episódios envolvidos de muitos sofrimentos, de sua relação de 20 anos com Julio.
Júlio é intimado a comparecer ao Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica em Maputo, em dia e hora marcada, para participar do processo de Aconselhamento Psicológico, a pedido da cliente.
Esta intimação se deu pela expectativa de que o marido participando deste processo poderia auxiliar na promoção de transformações na relação familiar, possivelmente através de tomada de consciência da situação de conflito conjugal, resultando o início de movimento desta situação circunstante.
Na 2ªSessão, Márcia relata que Júlio não apresentava comportamentos agressivos há dois anos, quando providenciou a ocorrência devido à agressão domarido. Nessa época informou-lhe que não aceitaria mais tal situação. Dois anos atrás registrara ocorrência no Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica em Maputo, retirando a queixa em seguida, devido ao marido prometer “seguir Jesus”, realizando tal promessa.
Nessa época comenta que ficou imobilizada durante um ano devido à doença, ainda que tenha se tratado. Agora está andando, sente apenas dores no útero quando fica nervosa.
Deixou o marido viajando para a casa do irmão no Bairro da Polana Caniço, levando os filhos, porém voltou porque o irmão e sua família têm situação financeira difícil e ela não achou correto levar mais problemas para uma família em dificuldades.
Relata estar preocupada com os filhos do sexo masculino, que estão apresentando comportamento semelhante ao do pai: “deve ser biológico” diz Márcia. Associa os comportamentos dos filhos ao de Júlio. Acrescenta que o pai de Júlio era violento com os filhos, exercia a pratica de violência do tipo: “amarrá-los no tronco e espancá-los, era alcoolista e abusava sexualmente de sua esposa (sogra)”. Júlio foi o filho último e somente soube desses factos pelos irmãos, que contaram para ele tais atrocidades.
Júlio, durante a entrevista, relata: “quando criança tive uma vida muito difícil, meu pai nunca me tratou bem; bebo desde os 15 anos. Senti muito pelo facto de minha mulher vir dar, me envergonho; sou antigo-combatente e recebo pensão, além disso sou  um pedreiro autónomo, não deixo faltar nada em casa, mas fico nervoso porque meus filhos não me obedecem. Tenho uma forma de fazer carinho; fiz pão com manteiga para meu primogênito, ele foi malcriado, falou palavrão, isso não está certo, sou seu pai”. Lembra que bebe desde a época em que morava com os pais e chora; disse que precisa tomar calmante, pois não entende porque fica nervoso.
Comenta que no seu primeiro casamento o sogro o internara, tinha 23 anos na época, quebrava tudo, se sentiu confuso de novo, trabalhava numa fábrica e tinha carteira registrada. Júlio diz: “Eles me jogaram no carro-de-boi e me internaram como se eu fosse um bicho.” Lembra que na época tomou choque elétrico e uma injeção de sossego e após 15 dias recebeu alta.
Júlio diz: “depois que Márcia veio ao Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica, parei de beber e de fumar faz três semanas, não quero perder mais uma família. Ela está doente; quero ajudá-la e ajudar meus filhos”. Após as explanações de Júlio, em entrevista de aconselhamento individual, foi marcado outro encontro com Júlio e Márcia juntos.
Nesse encontro Márcia argumenta que “Júlio não a ajuda a conversar com o filho, pois este já discutiu com o pai e, certa vez, levantou uma faca para o pai, isso aconteceu há dois anos e desde então eles mal se falam. O Júlio não tem paciência com o filho, reclama do tempo que demora no banho e desliga o chuveiro. É preciso que ele entenda que a geração de hoje em dia é diferente e o tempo está passando, ele precisa se alistar no exército-tropa e não quer, precisa estudar, não sabe nem ler e escrever nessa idade. Nós precisamos achar uma maneira de incentivá-lo. Júlio envergonhado, diz: “não soubemos dar limite tudo que Flávio pedia nós demos, eu até fiz um quarto pra ele trazer a namorada e chegar em casa a hora que quisesse”; se dirige a Márcia perguntando: “o que você acha de levá-lo para trabalhar comigo e pagar o seu dia de trabalho? Ela concorda e diz: “seria bom, quando você fala que vai pagar, ele vai”. Júlio pergunta a Márcia: “Você me ajuda a falar com ele?”
Com o intuito de incluir o filho neste movimento, a conselheira-estagiária, com  objectivo de melhorar a dinâmica familiar, propõe que trouxessem Flávio, para que os três pudessem participar de um encontro juntos. Na 3ªSessão, com os três expõe-se a gravidade da doença de Márcia, e que ela não pode passar nervoso, momentos de tensão só piora a saúde dela, e que o pai estava procurando ajuda para deixar de ser agressivo e de se alcoolizar e que ambos estão preocupados com a dinâmica do filho.
Flávio expôs que quer trabalhar e quer estudar, mas não aguenta ver o pai maltratando a mãe, vai fazer de tudo para que a mãe “não sofra mais”. A expressão de Flávio era de muita angústia; porém ao falar da gravidade da doença da mãe, inclindo a perda lenta da visão e da coordenação motora, resultando em impossibilidade de andar, Flávio e Júlio demonstraram união para um melhor convívio entre a família.
A conselheira comenta sobre Flávio a sua dependência química explicando os males que esta acção provoca ao cérebro e que talvez sua dificuldade de aprender na escola possa ser uma consequência do vício. Enfatiza ainda o facto de ele não querer se apresentar no exército-tropa, seria punível nos termos da lei, pois, outrora foi convocado para a incorporação para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique. E encaminhou Flávio para uma Instituição especializada em atendimentos a dependentes químicos, pedindo a Márcia e Júlio que o acompanhassem para o tratamento, pois assim também receberiam orientação sobre como lidar com essa situação que a eles é desconhecida.
(Fonte: Relatrório anual do Gabinete de Atendimento  à Criança e Mulher vítima de violência Doméstica-Maputo de 2003. Caso Márcia, Júlio e Flávia-nomes fetícios)
Ø  9.1.Reflexão-Discussão do caso
Percebi que poderia ocorrer certo movimento na relação do casal durante a primeira sessão com Márcia. A relação de ajuda entre a paciente e o aconselhamento possibilitou a tomada de consciência do fenómeno emergente que permeia a relação do casal, assim como no âmbito familiar, isto é, a ausência da comunicação. Com o processo de aconselhamento do Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica, Márcia pôde conversar com o marido sobre a necessidade de se comunicarem, pois sem esta acção não seria possível à continuação de uma convivência.
Penso que se permitindo a falar sobre o intenso conflito que Márcia estava vivendo, ela pode perceber que Júlio se apresentava agressivo devido à convivência que tivera com o sogro, que agia de forma extremamente agressiva com os filhos e achava que o marido repetia o que viveu. Por outro lado, Júlio lembra dos momentos difíceis pelos quais passou a família e chora ao falar de suas lembranças. Pede ajuda por não saber se controlar e diante de situações que fogem de seu controle fica muito nervoso e perde o equilíbrio.
Com Márcia compreendendo o conflito interno que o companheiro desenvolveu com sua família de origem, e Júlio podendo se consciencialisar sobre sua dificuldade de permanecer em equilíbrio ao se relacionar com o meio ambiente, o casal pode se olhar sem estes bloqueios, numa óptica mais cristalina da problemática em que vivem e desejaram promover transformações na relação familiar.
Este relato de caso revela-me que mesmo um agressor, devido ao grande apelo da doença da esposa por um lado e, de outro, à repetição de comportamento de avô, pai e filho paterno, este envolvido com entorpecentes, após consciencialização dos responsáveis, ou seja, pai levado a prestar contas de violência doméstica, consciencializa-se e abstém-se do álcool (frequência); a mãe entra em tratamento, com evolução progressiva e acolhida da família (neurologista incentivando-a e auxiliando-a na aposentadoria por invalidez); além de o filho tomar contacto com o trabalho do pai.
Este caso é um exemplo da importância deste trabalho de Aconselhamento Psicológico, através do qual, por meio de um acolhimento adequado e da possibilidade de proporcionar aos clientes da ao Gabinete de Atendimento da Criança e Mulher vítima de Violência Doméstica e em Serviços Moçambicanos de Aconselhamento Psicológico, um ambiente facilitador e da relação de ajuda segura estabelecidapelos conselheiros, posso com enorme satisfação concluir a resolução, bem como a evolução que essa família apresentou após alguns atendimentos, a saber: Júlio apresentou abstinência do álcool e passou a se comportar adequadamente; Márcia continuou o tratamento, apresentando evolução progressiva, tendo sido acolhida pela família no sentido de incentivá-la a parar de trabalhar, buscando a aposentadoria por invalidez; e o filho Flávio, que passou a ter contacto com o pai, acompanhando-o ao trabalho, consciente de ter que buscar ajuda para sua problemática de dependência química.
Posso dizer que a proposta de auxiliar a pessoa a enfrentar os conflitos vividos numa relação de violência doméstica, com um suporte psicológico, proporciona condições para que ocorram esclarecimentos sobre a situação, promovendo desta forma uma nova significação do conflito. No caso em questão, o casal pôde se tornar agente transformador e capaz de construir estratégias, modificando seu quotidiano, suas relações e com capacidade de decidir sobre novas situações no âmbito familiar e social, promovendo desta forma a promoção de saúde física e psíquica no âmbito familiar e pessoal.




10.Conclusão

Ao concluir o presente trabalho importa referir que o aconselhamento psicológico é uma intervenção que consiste a manter ou a melhorar a problemática trazida pelo paciente. Este campo de acção, reveste-se de maior importância e tem ganhado espaço desde os tempos remotos até aos nossos dias.  

Como notamos no presente trabalho, o aconselhamento psicológico permite incluir um conjunto de diverso de aspectos psicológicos, emoções, sentimentos e crenças do individuo na intervenção em processos psico-sociais.
Finalmente, como psicólogos importa salientar que, deve-se aconselhar aos indivíduos na mudança de comportamentos de risco para que eles que se acham saudáveis, previnam e promovam o bem-estar pessaol e social. Assim a atitude do psicólogo deve ser de um facilitador nesse processo de mudança de comportamento e não de um imposto autoritário, cabendo ao próprio indivídua acatar com as recomendações de uma forma consciente para que essa mudaça seja eficaz. 








11.Referências Bibliográficas
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